The Project Gutenberg EBook of Memoria hydrografica das ilhas de Cabo Verde, by 
Francisco Antnio Cabral

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Title: Memoria hydrografica das ilhas de Cabo Verde
       para servir de instruco a carta das mesmas ilhas,
       publicada em o anno de 1790

Author: Francisco Antnio Cabral

Release Date: June 12, 2011 [EBook #36404]

Language: Portuguese

Character set encoding: ISO-8859-1

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    *Nota de editor:* Devido  existncia de erros tipogrficos neste
    texto, foram tomadas vrias decises quanto  verso final. Em caso
    de dvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final
    deste livro encontrar a lista de erros corrigidos.

                                          Rita Farinha (Junho 2011)




MEMORIA HYDROGRAFICA

DAS

ILHAS DE CABO VERDE,

PARA SERVIR DE INSTRUCO

 CARTA DAS MESMAS ILHAS,

PUBLICADA EM O ANNO DE 1790.

POR

FRANCISCO ANTONIO CABRAL.


Agora novamente reimpressa, e augmentada com a presente Memoria pelo
mesmo Author.

Lisboa. M. DCCCIV.

NA OFFICINA DE SIMO THADDEO FERREIRA.

_Com Licena da Meza do Desembargo do Pao._




Esta Memoria s tem por fim mostrar ao Pblico o conceito, que da minha
Carta se pde fazer; e por isso eu desde j comeo com este objecto.

No me tem sido possivel encontrar Carta, ou Roteiro, de que podesse
tirar algumas instruces, para corrigir esta Carta; e antes me
asseguro os Pilotos, e mais pessoas, que navego para as mesmas Ilhas,
que a minha Carta he a mais correcta: e com effeito parece que s estes
he que podem decidir da sua exaco.

Parece-me ouvir o Leitor dizer: Esta Carta foi declarada por menos
exacta, que a de Mr. d'Aprs em 1799 por huns Academicos Portuguezes, se
me no engano: cujas razes frivolas ero, 1.^o porque ella differia
muito nas configuraes de algumas Ilhas, da Carta d'Aprs; 2.^o porque
os meios usados pelo Author no ero bem entendidos; 3.^o porque a
derrota aconselhada na mesma Carta era differente da que seguio d'Aprs,
&c.

He verdade que assim foi, com pouca differena; mas tambem he verdade,
que foi daquellas noticias de Gazeta, que requerem confirmao.[1]

O Leitor prudente, e imparcial ver que eu demostro com toda a
evidencia, em como a minha Carta he mais correcta, que a de Mr. d'Aprs:
e a derrota, que aconselho, a mais segura, e a que seguem os Prticos
daquellas Ilhas; e por consequencia, que os taes Academicos se enganro
miseravelmente, ou ento entendio muito pouco desta materia.

Comeamos por hum ponto principal, e que logo d nos olhos dos que sabem
a Geografia daquellas Ilhas. Pergunto, quantos ancoradouros, ou prtos
d a Carta de d'Aprs na Ilha brava? nenhum, como se pde vr. Quando
elle ha tres, que so, o da Furna da banda de Leste na cabea do Norte
da Ilha; e he hum excellente porto para oito, ou dez Navios pequenos no
tempo das brisas, ou da mono. O porto do Feijo da agua da banda de
Oeste tambem na cabea do Norte; O porto do Ferreiro, que fica para o
Sul deste: nestes dous prtos costumo varios Navios Estrangeiros
fundear no tempo das aguas, ou de inverno; e no do Ferreiro at se pde
ancorar no tempo das brisas, e com Navios maiores; e no he necessaria
tanta prtica para entrarem nestes dous prtos, como para entrarem na
furna.

Ora parece no ser pequena emenda o augmento de tres prtos, dois dos
quaes podem ser de de grande utilidade pata arribarem alguns Navios por
occasio de necessidade, taes so o do Ferreiro, e de Feijo da agua.

No fica s nisto a emenda da Ilha brava: esta Ilha na Carta de Mr.
d'Aprs he comprida, e lanada do Noroeste ao Sueste, e rodeada de
perigos, sendo ella quasi redonda, e o maior comprimento do Norte ao
Sul, e livre de perigos: pois s tem os Ilheos chamados de cima, e de
baixo, como se v na minha Carta; e estes mesmos no so cercados de
perigos, e s tem algumas restingas de ara com pouco fundo. Em quanto
aos meios de que me servi para tirar a planta desta Ilha, so mais que
sufficientes para o uso da Navegao: e at me atrevo presentemente a
propr hum bom premio para os que repugnro os ditos meios, se me
mostrarem outro methodo mais exacto, e mais simples, usando dos mesmos
aprestimos, e em iguaes circumstancias: eu os omitto aqui por me livrar
de maior despeza.[2] Mas posso affirmar que se eu podesse tirar a planta
das outras Ilhas, como tirei a desta, a minha Carta seria huma das mais
exactas. E em quanto s outras, que tambem emendei, servi-me dos meios,
de que se servem todos os Navegadores, andando  vla: e talvez os
Mathematicos, que notro a minha Carta por menos exacta, que a de
d'Aprs, no fizessem com huns poucos de mil cruzados de despeza, o que
eu fiz por patriotismo, e curiosidade (e a experiencia o tem mostrado):
o Leitor Sabio dir, sendo isto assim, como na verdade o he; porque
seno ho de louvar os trabalhos, que varios homens de genio offerecem
gratuitamente? eu lhe respondo sem talvez me enganar muito; porque
algumas vezes succede dar-se o premio ao que critca huma Obra, em lugar
de dar-se ao que a fez sem teno de interesse, e como he
incomparavelmente mais facil dizer mal de huma Obra, do que fazer outra
to boa, ou melhor, sempre ha de ser muito maior o nmero dos zoilos, do
que o dos homens teis: mas vamos ao nosso objecto.

Tem visto o Leitor, que a Ilha brava pintada na minha Carta, he a bem
dizer huma nova Ilha comparada com a que vem na Carta de d'Aprs; sem
que por isto se diminua o crdito de d'Aprs, pois elle nunca foi a tal
Ilha, e s a veria de longe, bem como Mr. Fleurieu , e Verdum; cujos
Navegadores foro to smente  Villa da praia na Ilha de S. Tiago.

Passemos  Ilha do Fogo; esta s tem hum porto na Carta de d'Aprs,
quando ha dois; hum de S. Filippe ao Norte para o tempo de Inverno; e
outro de Nossa Senhora para o tempo de Vero, ou das brisas. Desta Ilha
no direi mais, por estar s dous dias nella, mas posso affirmar ao
Leitor, que a sua verdadeira figura he differente da que se v na Carta
de d'Aprs, mas no obstante eu a pintei por ella.

Na Ilha do Maio tambem l estive hum dia fundeado no porto do Inglez;
porm como naveguei  vista della, tanto da banda de Leste, como de
Oeste, e tirei informaes dos Prticos, a deliniei da melhor frma que
me foi possivel, em ponto to pequeno.

Em quanto  Ilha de S. Tiago, parece-me esta Ilha a mais bem collocada,
e delineada (deixando algumas pequenas differenas) das que se acho na
Carta de d'Aprs: talvez por ser a mais frequentada de todos os
Navegadores; e com effeito o porto da Villa da Praia he hum dos mais
seguros de todas estas Ilhas no tempo das brisas, e o mais proprio para
refrescar. Poucas addies tive que fazer, mas com tudo emendei a ponta
do Norte, e fiz meno do porto do mangue no Tarrafal; e supprimi os
Ilheos, que se acho pela parte de Oeste na Carta de d'Aprs; porque os
no ha.

A Ilha da Boavista tambem foi emendada, primeiro em notar-lhe a restinga
de pedras, que ha entre o Ilheo, e a Ilha no porto do Inglez, cuja
restinga se no v na Carta de d'Aprs, e antes mostra huma passagem
livre, e por consequencia hum precipicio a qualquer Navio, que fosse
para entrar no porto, guiando-se pela dita Carta, sem mais noticia, e
esta infelicidade j tem acontecido. E com effeito hum Piloto, que fosse
dar fundo no porto do Inglez s pelo socorro da Carta, antes preferiria
entrar por entre o Ilheo, e a terra, do que por entre o Ilheo, e o
baixo, sendo esta ultima a entrada; porque entre o Ilheo, e a terra ha
hum recife de pedra, como se v na minha Carta. Notei mais o porto do
Norte, que serve no tempo das aguas; porm este porto he muito
arriscado, e os Navios, que no tiverem bom Prtico, devem fugir de l
ancorarem em tempo algum. Alonguei os recifes de toda a parte de Leste
da Ilha, por no estarem notados com segurana na Carta de d'Aprs: e
tambem no esto ainda bem notados na minha, por me ser muito perigoso o
reconhecer as extremidades de semelhantes recifes: e s direi, que esta
Ilha he a mais perigosa de todas ellas; porque estes recifes da parte de
Leste deito muito para o mar, de maneira que no tempo das brisas, e em
dias de neblina, hum Navio pde encalhar sem vr a terra, como j tem
acontecido: e he esta huma das principaes razes, porque os Praticos
nunca vo demandar esta Ilha.

A Ilha do Sal pela parte do Sul na Carta de d'Aprs acaba por huma ponta
redonda, cercada por hum recife de ara, porm no he assim; esta Ilha
da parte do Sul finaliza por huma ponta de ara bem comprida, e muito
raza, que ter huma boa legoa de comprimento, a que chamo a ponta da
Madama; e da banda de Leste ha hum ancoradoiro, como se v na minha
Carta. Vendo-se a parte do Sul desta Ilha, parece finalizar a terra,
quando ainda ha a tal restinga, que apenas se v de meia legoa no tempo
das brisas; esta Ilha da parte do Norte no he perigosa, e he hum pouco
montanhosa.

Passando agora  Ilha de S. Nicolo, ver o Leitor, que eu lhe dou huma
figura muito differente daquella, que se v na Carta de d'Aprs; porque
na verdade assim he, pois eu a rodeei, e tambem deliniei parte della por
terra, e estou muito bem certo, que os Navegadores achar (como tem
achado) ser esta a figura mais aproximada  verdadeira; tambem fiz
meno do porto do Tarrafal.

A Ilha Branca foi mudada para perto do seu verdadeiro lugar, e nesta
mudana s pde haver differena de huma milha, por no ter occasio de
tempo claro para fazer boas marcas.

Em quanto s Ilhas de Santa Luzia, S. Vicente, e Santo Anto, nada
direi; porque s as vi de longe, e por isso as copiei da Carta de
d'Aprs.

Tem o Leitor visto que as emendas foro muitas, e que por consequencia a
minha Carta deve ser mais exacta, do que a de d'Aprs, e isto mesmo he
confirmado por aquelles, que para l tem navegado, e s o negou quem
nunca navegou.

Vamos em fim a mostrar que a derrota prescripta na mesma Carta, he a
melhor, a mais segura, e a geralmente recebida por todos os Praticos,
que para l navego.

Para decidir sobre a vantagem da minha derrota  de d'Aprs, no he
necessario ter ido s Ilhas de Cabo Verde, nem tambem he necessario ter
navegado muito; porm he necessario entender o que so mones, e
correntes, e ter lido Viagens, e saber alguma cousa de Hydrografia. Mas
sempre devo advertir ao Leitor, que eu teria pejo de explicar hum
semelhante problema, que por qualquer Navegante tem sido comprehendido,
a quem quer passar por Professor de Hydrografia, se com effeito mo no
tivessem duvidado sem fundamento algum.

Antes que entre com esta demonstrao, he conveniente prevenir o Leitor,
de que estas Ilhas na maior parte do tempo das brisas se no podem vr
de mais de duas, at tres leguas; e em muitas occasies se chega a vr
arrebentar o mar nas Costas, e se no v a terra alta; e isto he sabido
por todos os navegantes: alm deste perigo temos o das correntes para
Oeste, e fortes ventanias.

Mr. d'Aprs diz pag. 13 edio de 1775. Quando qualquer Navio no tiver
destino particular, nem para o Senegal, nem para Gora, e que a
necessidade de agua, e outros refrescos, lhe fao preferir a escala por
S. Tiago; em lugar de irem reconhecer a Costa da Africa, ser mais
conveniente, que partindo das Canarias dirijo a sua derrota para o Sul,
a fim de se prem 25, ou 30 leguas a Leste da Ilha da Boavista, e na
Latitude de 16^o, que he a do meio desta Ilha, e navegar para Oeste at
a encontrar: eis-qui a derrota que d Mr. d'Aprs. Vejamos agora o
quanto ella he perigosa.

Para qualquer Leitor bem entender o que vou a dizer, ser conveniente
ter  vista a Carta destas Ilhas, ou ainda melhor, outra que as
contenha.

O Sabio Navegador Mr. d'Aprs claramente est dizendo, que os Navios da
Companhia das Indias costumavo ir ao Senegal, ou a Gora (e os que tem
noticia deste Commercio muito bem sabem isto), porm se para l no
levarem destino, e quizerem ir a S. Tiago, lhes aconselha se metto 25,
ou 30 leguas a Leste da Ilha da Boavista, e isto partindo das Canarias,
que he menos de meio, caminho partindo-se de Lisboa, e menos de hum
tero, partindo de Porto Luiz. Est bem entendido, que partindo de
Lisboa, ou de outro qualquer porto da Europa, e no vendo as Canarias,
he necessario supprem-se mais de 30 leguas a Leste: por cuja razo
temos huma derrota mais longa; e de noite no se deve navegar para a tal
Ilha, segundo os perigos de que j fallei.

Suppmos agora hum Piloto, que no esteja habil em achar a Longitude
pelos methodos Astronomicos. Supponhamos tambem que mesmo sendo habil,
no tem occasio, ou por muita neblina, como costuma haver das Canarias
para Cabo Verde, ou em fim por no ser conjuno destas observaes nos
dias de viagem da altura das Canarias para Cabo Verde; pergunto, no
pde ter hum erro de Longitude, que o faa passar pelo Canal, entre a
Ilha do Sal, e a de S. Nicolo, e no vr, nem huma, nem outra, seja de
dia, ou de noite? pde sem dvida, e j tem acontecido a alguns Navios.
Ora em semelhante caso navega para Oeste, porm a Ilha fica-lhe a Leste
eis-ahi as Ilhas sotaventiadas, e a viagem perdida. Estes perigos he que
no conhecem alguns Mathematicos, que nunca sahro c deste sitio, por
onde anda a rapoza. Ainda aqui no fica s o perigo de varar a Ilha da
Boavista por erro de Longitude, tambem se pde varar por erro de
Latitude; hum, ou dois dias que no hajo observaes das alturas
meridianas do Sol, estamos tambem no caso da Ilha varada por erro de
Latitude.

Querem vr todos estes perigos desvanecidos, vo demandar a Ilha do Sal
pela banda do Norte, e se as correntes, e outros obstaculos, que se
encontro nestas, e outras navegaes, tiverem deitado o Navio para
Oeste do Meridiano da Ilha do Sal, elle necessariamente ir encontrar
com a Ilha de S. Nicolo, ou com: a de S. Luzia, se navegar por maior
Latitude. Em quanto ao erro da Latitude, bem se v que as quatro Ilhas
de S. Nicolo, S. Luzia, S. Vicente, S. Anto, occupo hum intervallo de
Latitude, que no pde ser varado por falta de dois, ou ainda mais dias
de Sol. Por esta derrota at no he necessaria tanta segurana para
Leste: por outra razo, a Ilha do Sal he livre de perigos, quando a da
Boavista he perigosissima. Ora quem negar que este modo de navegar no
he mais seguro, e mais breve, tambem nega, que 3 e mais 2 no fazem 5, e
no he muito que negue a existencia das Ilhas de Anadias, que fico l
no cabo do Mundo.

Por esta derrota vai hum Navio directamente para todas as Ilhas de
Barlavento, e destas para as de Sotavento. Supponhamos por exemplo, que
sahia hum Navio de Lisboa para as Ilhas de Cabo Verde, e que levava
destino para ir a S. Nicolo; que fazia este Navio em ir demandar a Ilha
da Boavista? fazia huma viagem maior, e de mais perigo. E no obstante
vr-se na Carta, que o rumo da Boavista para S. Nicolo seria a uma
larga com Vento NE. ou NNE. no succede assim; porque he necessario
attender a hum angulo de 4, ou 5 rumos para o Norte, a fim de compensar
a velocidade da corrente, que vai para Oeste. As viagens por entre estas
Ilhas bem mostro o quanto he perigoso sotaventallas, pois das Ilhas de
Barlavento para as de Sotavento, a viagem he pouco mais, ou menos de
vinte e quatro horas; porm destas para as de Barlavento, se gasto
muitas vezes 12, 15, 18 dias com muito trabalho, e desassocego.

Por outra parte, a Ilha do Sal he livre de baixos, quando a da Boavista
he cercada delles, como j tenho dito: nella se tem perdido varios
Navios desgraadamente: no anno antecedente ao da primeira viagem, que
fiz para estas Ilhas, se perdeo nos baixos desta Ilha, vindo-a demandar
segundo a derrota de Mr. d'Aprs, hum importante Navio Inglez da
Companhia das Indias, que hia para a Asia, morreo a maior parte da
gente, e se perdeo todo o Navio, carga, e mais de hum milho de patacas;
alm deste ouvi fallar na perdio de outros, cujas pocas no ero
muito antigas.

A respeito da derrota, que seguio Fleurieu, no me serve de exemplo,
pois elle no foi de Rochefort, em direitura s Ilhas de Cabo Verde, mas
sim da Ilha Gora na Costa da Africa, para a Villa da Praia; e foi
demandar a Ilha do Maio.

Outro tanto direi de Mr. Verdum, porque fez a mesma viagem, e tambem foi
demandar a Ilha do Maio.

Em concluso, quer o Leitor vr hum facto bem remarcavel, que authorisa
os meus raciocinios, e que decisivamente reprova a derrota de d'Aprs,
em mandar procurar a Ilha da Boavista, como tambem a daquelles, que
vindo do Norte procuro a Ilha do Maio.

Torno a dizer, a Ilha da Boavista no deve jmais ser demandada, porque
ella hia sacrificando nas suas ruinas o Principe dos Navegadores.

Sim, amigo Leitor, Cook o mais habil, o mais clebre, em fim o mais
feliz dos Navegadores Inglezes, e de todas as Naes do Mundo, alli hia
sendo victima dos rochedos, que cerco esta Ilha pela banda de Leste.

Na terceira viagem deste immortal Navegador, Tomo I. Capitulo III. se v
o que agora vou a descrever.

Aos 10 de Agosto de 1776, s nove horas da noite vimos a Ilha da
Boavista demorando ao Sul, e a pouco mais de huma legoa: ns pensavamos
estar muito mais longe, porm ento reconhecemos o nosso engano. Tendo
virado a Rumo de Leste at  meia noite, a fim de montar os baixos, que
cerco a Ilha pela parte do Sueste, e que deito huma legoa pouco mais,
ou menos para o mar, nos achmos to perto delles, que viamos encapellar
o mar sobre os recifes. A nossa situao foi por alguns minutos
consternavel: eu no achei acertado sondar, porque esta operao faria
augmentar o perigo, sem usar primeiro dos meios de nos affastarmos, &c.

Quando ao Capito Cook lhe aconteceo hum engano, que to desgraado hia
sendo a todo o Mundo, que diremos dos outros Navegadores em geral? Isto
muito bem confirma as minhas reflexes, que acima fico ditas; quero
dizer, que nem s ha risco de varar as Ilhas para Oeste, mas tambem de
se irem perder de noite na Ilha do Sal, para completar a Latitude da
Ilha da Boavista, pensando que a Ilha do Sal lhe demora para Oeste: aqui
se v quanto a derrota de ir demandar a Ilha do Sal he segura; pois logo
que qualquer Navegante se acha proximo a completar a Latitude desta
Ilha, comea a navegar com muita cautela, e s a ver de dia, e como no
seu caminho no ha Ilha, nem baixo, est seguro de no encontrar perigo
algum.

 primeira vista tambem parecer a derrota, que vou a descrever, muito
boa. Vem a ser: hum Navio, que v da Europa, e s quizer ir refrescar 
Villa da Praia, metta-se no parallelo do meio da Ilha do Maio, e tanto a
Leste, quanto julgue conveniente a segurana da sua derrota: depois
navegue para Oeste at vr a Ilha, governando ento pela banda do Sul da
Ilha, v demandar a Villa da Praia. Esta derrota, segundo as indagaes
que tenho feito, he muito usada pelos Navios grandes, que s vo
refrescar  Villa da Praia. Porm ella requer huma grande certeza de
Longitude, e Latitude, e a falta desta certeza faz a viagem mais
demorada alm de duvidosa. Mas como o reconhecimento da Ilha do Sal he
muito mais seguro, e fica no caminho da derrota, no ha razo alguma
para no seguir esta derrota, que por todos os lados he mais vantajosa,
principalmente para os que vo de proposito para estas Ilhas.

Como nem s os bons arrazoamentos decidem em materia de prtica, eu alm
das vantagens, que conheci na derrota que segui, tive, antes de publicar
a dita Carta, o cuidado de examinar, se com effeito*** esta derrota era
usada pelos Navegantes daquellas Ilhas; e com a sua confirmao ento a
publiquei: presentemente me asseguro, que nem s os Portuguezes, porm
todos os Americanos, e em geral todos os que conhecem a Navegao destas
Ilhas de Cabo Verde, seguem a derrota de irem demandar a Ilha do Sal. Eu
tambem posso affirmar que os Americanos me tem gasto huma boa poro
destas Cartas, que mandei para as ditas Ilhas. He necessrio combinar a
Theorica com a experiencia, porque sem esta combinao, tudo he palhada,
e palanfrorios; e se os Crticos da minha Carta usassem desta
combinao, no produzirio razes frivolas para negar o certo, e
confirmar o duvidoso, como por exemplo, a publicao do baixo do Victo
sem escrupulo algum, e outras mais, &c.

FIM




Notas:

[1] No respondi logo ao tal Annuncio do Gazeta; 1. porque eu sempre
tratei esta Carta de bagatella; 2. porque o mesmo Annuncio estava
mostrando a fragilidade das suas razes, e as pessoas de juizo
claramente conhecro, que era intriga formada por alguns individuos, e
por consequencia a Carta ficou com o mesmo crdito; 3. porque ainda a
impresso no estava concluida, mas presentemente como est finalizada,
era justo, que fazendo segunda impresso, lhe addiccionasse a presente
Memoria.

[2] Ser bom responder agora ao Commentador desta Carta sobre huma
dvida, com que elle fez alguma bulha entre os seus Socios Academicos, e
he que a maneira de como me servi para tirar a planta da Ilha brava, era
muito duvidosa, em razo da determinao das bazes, no se lembrando que
os alinhamentos s se podem fazer no mar alto, por meio da bussola, ou
agulha de marear, e que outros quaesquer meios sero quimeras; porm
merece toda a desculpa, visto qUe, nunca tenha navegado, nem
emprehendido semelhantes trabalhos.




Lista de erros corrigidos


Aqui encontram-se listados todos os erros encontrados e corrigidos:


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  |#pg.    6| naverdade           | na verdade           |
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End of the Project Gutenberg EBook of Memoria hydrografica das ilhas de Cabo
Verde, by Francisco Antnio Cabral

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work, (b) alteration, modification, or additions or deletions to any
Project Gutenberg-tm work, and (c) any Defect you cause.


Section  2.  Information about the Mission of Project Gutenberg-tm

Project Gutenberg-tm is synonymous with the free distribution of
electronic works in formats readable by the widest variety of computers
including obsolete, old, middle-aged and new computers.  It exists
because of the efforts of hundreds of volunteers and donations from
people in all walks of life.

Volunteers and financial support to provide volunteers with the
assistance they need are critical to reaching Project Gutenberg-tm's
goals and ensuring that the Project Gutenberg-tm collection will
remain freely available for generations to come.  In 2001, the Project
Gutenberg Literary Archive Foundation was created to provide a secure
and permanent future for Project Gutenberg-tm and future generations.
To learn more about the Project Gutenberg Literary Archive Foundation
and how your efforts and donations can help, see Sections 3 and 4
and the Foundation web page at http://www.pglaf.org.


Section 3.  Information about the Project Gutenberg Literary Archive
Foundation

The Project Gutenberg Literary Archive Foundation is a non profit
501(c)(3) educational corporation organized under the laws of the
state of Mississippi and granted tax exempt status by the Internal
Revenue Service.  The Foundation's EIN or federal tax identification
number is 64-6221541.  Its 501(c)(3) letter is posted at
http://pglaf.org/fundraising.  Contributions to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation are tax deductible to the full extent
permitted by U.S. federal laws and your state's laws.

The Foundation's principal office is located at 4557 Melan Dr. S.
Fairbanks, AK, 99712., but its volunteers and employees are scattered
throughout numerous locations.  Its business office is located at
809 North 1500 West, Salt Lake City, UT 84116, (801) 596-1887, email
business@pglaf.org.  Email contact links and up to date contact
information can be found at the Foundation's web site and official
page at http://pglaf.org

For additional contact information:
     Dr. Gregory B. Newby
     Chief Executive and Director
     gbnewby@pglaf.org


Section 4.  Information about Donations to the Project Gutenberg
Literary Archive Foundation

Project Gutenberg-tm depends upon and cannot survive without wide
spread public support and donations to carry out its mission of
increasing the number of public domain and licensed works that can be
freely distributed in machine readable form accessible by the widest
array of equipment including outdated equipment.  Many small donations
($1 to $5,000) are particularly important to maintaining tax exempt
status with the IRS.

The Foundation is committed to complying with the laws regulating
charities and charitable donations in all 50 states of the United
States.  Compliance requirements are not uniform and it takes a
considerable effort, much paperwork and many fees to meet and keep up
with these requirements.  We do not solicit donations in locations
where we have not received written confirmation of compliance.  To
SEND DONATIONS or determine the status of compliance for any
particular state visit http://pglaf.org

While we cannot and do not solicit contributions from states where we
have not met the solicitation requirements, we know of no prohibition
against accepting unsolicited donations from donors in such states who
approach us with offers to donate.

International donations are gratefully accepted, but we cannot make
any statements concerning tax treatment of donations received from
outside the United States.  U.S. laws alone swamp our small staff.

Please check the Project Gutenberg Web pages for current donation
methods and addresses.  Donations are accepted in a number of other
ways including including checks, online payments and credit card
donations.  To donate, please visit: http://pglaf.org/donate


Section 5.  General Information About Project Gutenberg-tm electronic
works.

Professor Michael S. Hart is the originator of the Project Gutenberg-tm
concept of a library of electronic works that could be freely shared
with anyone.  For thirty years, he produced and distributed Project
Gutenberg-tm eBooks with only a loose network of volunteer support.


Project Gutenberg-tm eBooks are often created from several printed
editions, all of which are confirmed as Public Domain in the U.S.
unless a copyright notice is included.  Thus, we do not necessarily
keep eBooks in compliance with any particular paper edition.


Most people start at our Web site which has the main PG search facility:

     http://www.gutenberg.net

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including how to make donations to the Project Gutenberg Literary
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